Pesquisas, opiniões de especialistas e a literatura científica garantem que as experiências vividas nos primeiros anos de vida da criança são mais importantes para o futuro do adulto do que se pensava. No entanto, a maioria das famílias ainda desconhece a importância dos estímulos apropriados na primeira etapa da infância, os três primeiros anos.
NOVIDADES - Pesquisas importantes e recentes demonstram que as vivências dos três primeiros anos são cruciais na construção do caráter e habilidades do adulto. Um estudo publicado recentemente pela Universidade Duke, na Carolina do Norte, EUA, mostra que aos 7 meses as crianças já têm noções rudimentares de matemática. Metade do desenvolvimento cerebral acontece até o primeiro ano de vida. A memória forma-se logo após o nascimento. Aos 6 meses, os bebês mostram atividade cerebral diferenciada na presença da mãe. Os cinco sentidos são formados ainda na gestação, e o tato é o primeiro a se desenvolver. Hoje, por sabermos disso, o bebê é levado direto ao colo da mãe após o nascimento. Antes, ele levava um tapa, conforme visto muitas vezes em cenas de filmes e desenhos animados antigos. Um canal da tv fechada exibe semanalmente o documentário intitulado "Crianças do Milênio". É um estudo europeu, documentado pela BBC de Londres, que traz uma proposta, no mínimo, ousada: pesquisadores acompanharão por 20 anos um grupo de crianças de diferentes grupos sócio-culturais, a fim de descobrir a real influência das experiências dos primeiros anos de vida na aprendizagem e construção da identidade. As descobertas e conclusões até agora (o estudo começou no ano 2000), a respeito da construção de conhecimento dos pequenos, são surpreendentes.
O QUE FAZER? - O que fazer para ajudar no desenvolvimento de nossas crianças? O principal é começar, pois não podemos achar que o bebê não percebe o que acontece ao seu redor, ou não aprende. Aos 3 anos, o cérebro das crianças faz cerca de 15 mil conexões entre seus neurônios, três vezes mais do que o dos adultos. Mas estes circuitos dependem de estímulo, e se eles não ocorrerem, farão falta no aprendizado. Sempre é tempo de aprender, diz a sabedoria popular. Mas as condições neurológicas ideais para que o processo aconteça facilmente ocorrem na primeira infância. Como tudo em excesso é prejudicial, vamos devagar antes de oferecer muitos estímulos: há uma infinidade de brinquedos, jogos, livros, cds e dvds educativos, que prometem educar e desenvolver habilidades. Vemos alguns exageros, como livros que trazem "métodos" para alfabetizar bebês, ou ensinar números, formas e cores para crianças muito pequenas. Muitos pais, interessados em oferecer o melhor aos filhos, aceitam os conselhos destas fontes e levam as crianças a realizar tarefas e atividades cansativas ou inadequadas, que desrespeitam seu ritmo.
As descobertas das crianças são ligadas às emoções. Não adianta deixar a criança cercada de brinquedos educativos, e sem companhia, pois ela não aprende sozinha. Também não adianta pressionar a criança para que aprenda mais, gerando ansiedade, competição e estresse. Mais importante do que escolher o que oferecer, é a forma como o estímulo será oferecido: as experiências devem ser prazerosas, felizes e cotidianas. Assim, o aprendizado será conseqüência natural do desenvolvimento. Além disso, a criança necessita de um ambiente saudável, nutrição e amor para seu desenvolvimento global ser equilibrado.
COMO FAZER? - Veja algumas sugestões de atividades que podem ser oferecidas ao bebê nos três primeiros anos de vida:
ANTES DO NASCIMENTO : Converse com o bebê desde a gravidez. Eles reconhecem a voz dos pais e se acalmam com ela. Além disso, o bebê tem uma vida uterina intensa: sonha, chupa dedos, "brinca" com as mãos, e sente os sons do lado de fora. Também percebe a agitação ou calma da mãe.
NO PRIMEIRO SEMESTRE : Até os 3 meses : a criança responde aos estímulos do ambiente. Só enxerga bem de perto, e não enxerga todas as cores. Observa e responde a sorrisos e expressões faciais, presta atenção a vozes.
Até os 6 meses : o bebê precisa de estímulos visuais, táteis e auditivos. A música não precisa ser clássica, pode ser a que família ouve, desde que cuidando o volume e o tempo de exposição. Ele gosta de chocalhos, móbiles, mordedores. Tudo macio, emborrachado ou de pano, que possa ser pego sem machucar a mãozinha e a boca. Agora começa a se interessar por cores. Senta perto dos 6 meses, e agarra objetos a partir dos 4 meses. Movimente suas perninhas e as mãos, troque-o de posição, coloque-o de bruços, faça massagens. Cuidado para não forçá-lo a ficar ereto, apoiado nas próprias pernas, sua estrutura física não está pronta para isso. Primeiro, ele deve fortalecer os músculos e ossos das pernas e quadris, engatinhando nesta fase.
DE 6 MESES A 1 ANO : Ações como banho e alimentação podem ter forma de brincadeira. Cante, vá nomeando os objetos. Fale bastante e sempre, a comunicação é importante para a construção do vocabulário. O bebê aprende a imitar gestos, bater palmas, brincar de esconder e mostrar com um pano. S e interessa por brinquedos flutuantes para a hora do banho, potes que se encaixam, brinquedos de martelar, objetos sonoros. Começa a engatinhar e mexer em tudo. Cuidado com tomadas, pontas, arestas, pedaços de piso solto.
DE 1 A 2 ANOS : Com 1 ano, geralmente os bebês começam a caminhar, e querem explorar tudo. Ainda levam objetos à boca. Bonecos de tecido macio, leves, bichos de pelúcia, de material atóxico e anti-alérgico. Muito cuidado para que os brinquedos não tenham peças pequenas, ou que se soltem ou descosturem. Livros com ilustrações familiares e grandes, emborrachados ou de pano. Nomear as figuras também auxilia muito no desenvolvimento da fala, que começa perto dos 2 anos. Para auxiliar e estimular a locomoção, carrinhos de bonecas, carrinhos e caminhões, brinquedos de empurrar e puxar. Para estimular a memória visual, brinquedos com encaixes de diferentes formas. A partir de um ano, o bebê pode começar a comer sozinho, com supervisão de um adulto, que o auxiliará com outra colher. Também já pode começar a aprender o uso do copo comum, sem bico ou canudos.
DE 2 A 3 ANOS : Aqui, a tendência é o movimento, que a criança já domina bem: pega, mexe, quer olhar o que tem dentro dos objetos. Subir e descer escadas, pedalar, chutar e receber bolas com os dois pés. É hora de oferecer bolas e triciclos - para as meninas também! Para desenvolver a motricidade fina, podem ser oferecidos brinquedos de encaixar, empilhar, roscas e tampas. Para auxiliar na comunicação, continuar e intensificar atividades de música e dança, e a conversa, sempre. Evite a fala infantilizada, pois mesmo que a criança ainda não pronuncie tudo, é importante que escute as palavras corretamente. Aos 2 anos, pode começar a retirada das fraldas. A criança pode ter mais contato com massa de modelar, argila, tintas, pois não coloca tudo na boca com tanta freqüência. Adora imitar os adultos, deve brincar com panelinhas, bonecas, cozinha, escola, supermercado, feira, médico. Os meninos também. Lembre que será mais fácil eles cuidarem de seus filhos no futuro se isso for proporcionado desde pequenos, como fazemos tão facilmente com as meninas. A criança desta idade já pode aprender a guardar seus brinquedos e organizar seu espaço. Procure fazer isto de forma divertida, como mais uma parte da brincadeira.
Enviado por Jesiane M. Fernandes
Pedagoga especialista em Psicopedagogia.
CONTATO: jesiane@terra.com.br