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A alimentação das crianças






Para bebês a partir dos seis meses de idade, muitos pediatras liberam a alimentação sólida ou pastosa. A partir daí, começa uma nova fase no desenvolvimento da criança, que passará a adquirir mais independência, novos hábitos, receber estímulos ao paladar e aprender que gosta ou não gosta de muitas coisas.

Para algumas famílias, esta transição é tranqüila, e as crianças aceitam bem a nova alimentação. Para outros, começa uma fase de brigas e intranqüilidade.

Algumas ações são importantes e devem ser observadas pela família neste momento, a fim de compreender melhor como se "constrói" nosso paladar e os hábitos alimentares que levaremos pela vida afora.

Durante o primeiro ano, os bebês geralmente aceitam bem qualquer alimento. Com um ano, o bebê provavelmente já conhece a maioria dos sabores e texturas, e deve aceitar bem as novidades, se oferecidas corretamente. O apetite diminui quando a criança tem entre 1 e 3 anos. Isso pode ter algumas causas bastante comuns:

Falta de percepção do adulto: A criança com 1 ano tem apetite muito menor que o bebê. É uma programação genética. No primeiro ano de vida o bebê triplica de peso. Entre 1 e 2 anos precisa aumentar de peso apenas 20% (passa de aproximadamente 10 quilos para 12). Há meses em que não aumenta de peso e isso é normal, mas os pais, habituados com o crescimento do bebê, pensam logo em doença e forçam a alimentação. É um erro, que pode provocar reação. E quanto maior for a insistência, mais a criança se sente agredida e vai reagir, até recusar-se a comer. Alguns médicos chegam a receitar um tônico, um remédio para aumentar o apetite da criança. É um erro, porque a receita vai aumentar a convicção de que a falta de apetite é uma doença. Além disso, muitos dos estimuladores de apetite são perigosos, provocam hipoglicemia, sonolência ou agitação.

Resfriados e as gripes: são muito comuns nesse período, e eles fazem diminuir o apetite. Quando a criança fica curada, depois de três a sete dias, ela tem fome acima do habitual, durante alguns dias. É uma compensação, para que ela recupere rapidamente o que perdeu, e logo ela volta ao apetite habitual.

COMENDO SOZINHO - QUE SUJEIRA!

Crianças pequenas, mesmo sem capacidade de fazer os movimentos necessários para recolher a comida com a colher e leva-la à boca (o que exige controle fino dos movimentos), querem comer sozinhas. Isso deve ser incentivado, mesmo que elas façam muita sujeira. Alimentar-se sem a ajuda do adulto significa, em um primeiro momento, deixar que a criança coloque a mão no prato, que se lambuze, que faça sujeira, e poucos adultos tem paciência para aturar. Eles querem que ela coma o que lhe dão na boca ou que, como em um passe de mágica, aprenda logo a segurar a colher direitinho e controle seus movimentos em direção à boca. Mais ainda: querem que ela seja rápida e que não deixe cair comida.

Comer sozinha é uma conquista importante para a criança, e não só do ponto de vista do desenvolvimento da sua capacidade manual. Comer pela própria mão é o começo da autonomia, da independência, da sua afirmação como pessoa. E é um prazer. Infelizmente, a maioria dos pais nega este prazer a seus filhos. Se a criança é reprimida, não tem liberdade, e se insistem em dar comida na sua boca, os pais estão tirando também o prazer e a aventura de comer. Se, além disso, a obrigam a comer do que não gosta, ela não pode mesmo ter prazer com a refeição e vamos começar a ter problemas na hora da comida porque é bem provável que, nesse caso, se desinteresse pelo prato e até se recuse a comer, pelo menos na hora em que a mãe quer que coma.

O pior acontece quando pais autoritários obrigam a criança a comer, a "engolir tudo", sob ameaça de castigo e até de pancada. Podem resolver o problema do momento, mas estão criando outros, maiores. Inclusive porque essa comida não faz bem à criança. Em alguns casos ela chega a vomitar. Ameaças, castigos, prêmios e promessas, gracinhas e brincadeiras, tudo serve para encobrir o problema, mas não resolve a situação. O que resolve é dar liberdade à criança e, se a crise já está instalada, deixar que a criança resolva por si mesma. Quando a criança percebe a ansiedade dos adultos em relação à comida, já não vê o que come como um prazer e passa a associar comer com dever, uma obrigação capaz de levar os adultos aos papéis mais ridículos e até a violência para fazê-la engolir. É evidente que isso só traz prejuízos.

Por outro lado, elogios exagerados à criança que comeu tudo podem levá-la a imaginar que só será amada se limpar o prato todas as vezes, o que provoca angústia e talvez faça com que coma demais, para ser mais amada.

Quando a criança demonstra interesse e vontade de comer sozinha, deve ser incentivada e não ser reprimida. E se quer comer com as mãos, que coma, porque isso dá a ela muito prazer. Podemos, gradativamente, ir desencorajando a criança de comer com as mãos, educando-a e fazendo com que ela entenda que certas coisas podem e até devem ser comidas com o uso das mãos, mas que os talheres foram criados para não sujarmos as mãos.

A fase da sujeira vai passar, e o mais importante é que a criança terá adquirido maior controle sobre seus movimentos, e apreciado sua refeições com prazer, ampliando seu paladar e seus gostos.

DICAS IMPORTANTES

  • O visual é importante : Nunca, jamais misture os alimentos no prato! A criança necessita conhecer diferentes sabores e texturas para saber apreciar os alimentos. Além de ser uma questão de etiqueta, pois é muito feio aquele prato com uma "gororoba" misturada, sem sabermos o sabor e a cor da cada alimento. Também evite o hábito de assoprar a comida para que esfrie: através da boca do adulto, muitas bactérias podem ser transmitidas.
  • Não substitua refeições por mamadeiras - a criança tende a aceitar melhor o leite, por ser um sabor conhecido. Ela acaba enchendo o estômago e não se alimentando com a variedade de nutrientes que uma refeição proporciona.
  • Antes das refeições , chame a criança para auxiliar no seu preparo: descascar ovos cozidos, bananas, mexer alguma mistura, ou mesmo observar o adulto que prepara os alimentos faz a criança sentir-se mais envolvida com a alimentação. É bem mais fácil ela provar a verdura se ajudou a preparar a salada.
  • Também faça com que ela participe da compra dos alimentos : leve a criança ao supermercado ou feira, mostre os diferentes legumes e frutas, façam uma listinha juntos, e coloque as coisas que ela gostaria de levar.
  • Evite : açúcar, frituras, farinhas brancas. Substitua por açúcar das frutas, mel ou mascavo, grelhados, farinhas e pães integrais, muito mais saudáveis.
  • Não force a comer . Se a criança recusar uma refeição, vai alimentar-se na próxima. Não se preocupe, a criança não se deixará morrer de fome.
  • Sem comida fora de hora . Diminui o apetite nas principais refeições.
  • O relógio do bebê : Na medida do possível, deixe que a criança siga seu próprio relógio biológico. Até completar um ano, o melhor é que o almoço seja oferecido por volta das 11:30 e o jantar às 18:00 horas, mas, se o pequeno demonstrar fome às 16:00 , por exemplo, permita que jante mais cedo. Ele pode comer uma fruta com leite no horário em que costuma fazer essa refeição.
  • Deixe-o comer com as mãos . Apesar da sujeira, é um aprendizado importante.
  • Nada de chantagem . Prometer uma sobremesa em troca da sopa acentua o desprezo pela comida.
  • Sem aviãozinho . Na hora de comer, nada de mimar a criança.
  • Dê exemplo! Não adianta dar a ele espinafre enquanto você come salgadinho. Nem adianta querer dar frutas se você não come uma maçã.
  • 0 a 3 anos - O bebê que acostuma com comidas saudáveis dificilmente vai dar trabalho mais tarde. Siga as orientações do pediatra e vá adicionando novos alimentos ao cardápio conforme ele for crescendo.
  • 3 a 6 anos - A merenda da escola precisa ser saudável. Ao invés de liberar o consumo de salgadinhos, bolachas recheadas, e refrigerantes, prepare uma lancheira nutritiva e que agrade seu filho. Não esqueça de variar para a criança não enjoar. Muito importante: deixe que a criança auxilie na escolha do lanche. Ofereça opções saudáveis, e deixe que ela decida o que levar na escola.
  • 6 a 9 anos - O refrigerante é a grande tentação da criançada. Tente servir sucos de frutas durante a semana e deixe os refrigerantes para o fim de semana. Como crianças nessa fase gastam muita energia, eles tendem atacar a dispensa em busca de chocolates e gulodices em geral. Não é bom ter um grande estoque de guloseimas!

Se a criança está nos padrões de crescimento (peso e altura), não está desnutrida ou doente, deixe que se alimente em paz. O que parece pouco para uns é mais que suficiente para outros, os organismos variam muito. A criança que não tem doença, que tem todos os alimentos à disposição, filha de pais baixos, é baixa e come menos porque é assim que está geneticamente programada. Ela come pouco porque é baixa, e não o contrário. É diferente da criança pobre, que come pouco e que pode ficar baixa por conta da miséria, da falta de comida e não da programação genética.

A hora de comer é um momento social e educativo de extrema importância para o desenvolvimento da criança. Deve ser uma hora tranqüila, sem tensões, brigas ou discussões, nem cara feia e gritaria, de preferência com todos os familiares reunidos e sem televisão ligada.

Amor, liberdade, respeito ao paladar e ao prazer de comer, ao direito de aprender e comer sozinha e de relacionar-se com a comida, tudo isso ajuda a criança a não ter problema na hora das refeições.

 

Enviado por Jesiane M. Fernandes
Pedagoga especialista em Psicopedagogia.

CONTATO: jesiane@terra.com.br



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